domingo, 27 de janeiro de 2019

Estudante faz filme de 'cinema mudo' com elenco de atores surdos na Paraíba

Um filme realizado no estilo "cinema mudo", com um elenco formado por atores surdos e com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Essa foi a proposta do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Danilo Guimarães, aluno do curso de Arte e Mídia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O curta metragem conta uma história de terror, envolvendo os sentidos do corpo humano.
Segundo o autor do filme “Sentidos”, o projeto foi pensado há dois anos e a execução durou um ano. As gravações foram feitas em três meses, em Campina Grande. O filme conta com quatro personagens, sendo que três deles são deficientes auditivos e, por isso, não conseguem falar. Já o quarto personagem – o vilão - é cego. Mesmo sem ser deficiente visual, o ator que interpretou o papel gravou todas as cenas sem enxergar.

O filme

No filme, três personagens acordam trancados em uma sala, sem saber onde estão. Eles foram raptados pelo vilão, que é cego. Os três surdos tentam encontrar um forma de sair do local sem que o vilão perceba. Para escapar do perigo, os surdos precisam utilizar os outros sentidos de forma inteligente e estratégica. Já o vilão, por ser cego, utiliza do tato e a audição para tentar perseguir e matar as vítimas.
Danilo explica que a intenção foi provocar uma reflexão sobre a importância de acessibilidade e também ter uma produção em que a comunidade surda se sentisse representada e pudesse ter uma experiência mais próxima, com a interpretação dos atores. O filme foi apresentado no dia 11 de dezembro no Cine Teatro Paulo Pontes, em Campina Grande. Dezenas de surdos da cidade acompanharam a exibição.
No filme 'Sentidos' vilão é cego e precisa usar a audição para tentar encontrar suas vítimas — Foto: Reprodução/SentidosNo filme 'Sentidos' vilão é cego e precisa usar a audição para tentar encontrar suas vítimas — Foto: Reprodução/Sentidos
No filme 'Sentidos' vilão é cego e precisa usar a audição para tentar encontrar suas vítimas — Foto: Reprodução/Sentidos
“Foi uma experiência incrível. E, ao contrário do que a gente temia, os atores surdos trabalharam com muita facilidade. O que teve esse destaque é que por serem surdos, eles naturalmente usam outras expressões do corpo e face, que passam melhor a mensagem e ainda facilita o entendimento dos surdos que assistem. A reação da comunidade surda ao assistir o filme é o que mais me impressiona”, explica ele.

Suspense sem áudio

Com as experiências de sala de aula, no curso, Danilo explica como fez para conseguir provocar suspense no filme, sem ter o recurso de trilhas. “Nos filmes normais, a trilha sonora é o que mais ajuda a criar o suspense de uma cena de susto, ação, de algo que vai acontecer. Nesse filme, como não existe áudio, nós usamos um jogo de saturação de cores antes das cenas de suspense. Então quando a imagem começa a ficar em preto e branco, os surdos que assistem já sabem que algo está para acontecer. E na prática a reação deles assistindo é incrível”, disse ele.
Filme 'Sentidos' foi feito pelo aluno da UFCG, Danilo Guimarães, para o curso de Arte e Mídia — Foto: Danilo Guimarães/Arquivo PessoalFilme 'Sentidos' foi feito pelo aluno da UFCG, Danilo Guimarães, para o curso de Arte e Mídia — Foto: Danilo Guimarães/Arquivo Pessoal
Filme 'Sentidos' foi feito pelo aluno da UFCG, Danilo Guimarães, para o curso de Arte e Mídia — Foto: Danilo Guimarães/Arquivo Pessoal

Os atores

O filme ainda não foi disponibilizado na internet, pois Danilo Guimarães pretende inscrever a produção em concursos e prêmios. Mas, em uma entrevista disponibilizada pela direção do filme, os atores surdos explicam como se sentiram. A entrevista foi traduzida por uma intérprete e pode ser acompanhada no vídeo abaixo.

Entrevista com atores do filme "Sentidos"
"Antes eu não sabia. Então eu tinha vontade de saber como era. As pessoas me chamavam pra ver filme. Eu ficava imaginando como era trabalhar em um filme, como era a gravação. Eu fiquei ansioso no início. A mulher veio e fez um trabalho de expressão corporal. Eu aprendi muita coisa, como fazer os movimentos e o personagem", conta Gerson Barbosa.
Italo Urbano, que também atuou no filme, explicou que essa foi sua primeira experiência como ator. “Eu aceitei porque eu via outras pessoas vendo filmes, ansiosas. Via oficinas de teatro. Mas aí eu queria fazer e não sabia como era", declarou.
"Eu me senti dentro do personagem. Por isso eu aceitei”, comentou o ator.
A atriz Morgana Catarine explicou que sabia que as gravações não seriam fáceis. "Então eu senti que precisava usar expressão, porque o mundo do surdo é visual e usa muito a Libras. Então eu precisava expressar mais forte o medo e a coragem, porque eu queria presentar a cultura e a identidade surda. Eu queria ver a emoção e reação das pessoas e tive a emoção de participar de um filme de terror”, disse a atriz.
G1/PB

BORGES NETO LUCENA INFORMA

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