Parar de fumar engorda, confirma pesquisa
O ganho de peso médio no primeiro ano sem cigarro é de quatro a cinco quilos. Benefícios do fim do tabagismo, porém, superam os riscos de engordar
Parar de fumar, embora seja algo extremamente benéfico à saúde, provoca
ganho de peso na maioria das vezes. Uma nova pesquisa publicada nesta
terça-feira no site do periódico British Medical Journal (BMJ)
concluiu que fumantes engordam, em média, entre quatro e cinco quilos
no primeiro ano sem cigarro — especialmente nos primeiros três meses.
Segundo os autores do estudo, esse aumento de peso é maior do que se
pensava anteriormente, mas isso não elimina o fato de que os efeitos
positivos que acompanham o fim do tabagismo superam os riscos do ganho
de peso.
Opinião do especialista
Jaqueline Scholz Issa
Cardiologista e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor)
Cardiologista e coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor)
"Esses dados vão ao encontro dos resultados de um levantamento que
fizemos no Insituto Nacional de Câncer (Inca) com fumantes que tentaram
largar o cigarro. Na prática clínica, observamos que, geralmente, quem
se preocupa muito em ganhar peso não tenta parar de fumar, e que
engordar não é um dos motivos mais comumente apresentados por fumantes
que têm recaídas.
Embora a maioria das pessoas ganhe peso ao deixar o tabagismo, é
importante que elas saibam que não é impossível evitar que isso ocorra.
Como elas provavelmente sentirão mais fome sem o cigarro, a melhor
alternativa é dedicar-se a alguma atividade física. A prática, além de
ajudar a amegrecer, alivia outros sintomas que acompanham um fumante que
está tentando abandonar o vício, como stress e ansiedade.
Por isso, é importante que uma pessoa saiba dos riscos de engordar
antes de abandonar o cigarro. Assim, ela pode se preparar e se planejar
para que não ganhe peso."
Esse trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade do Sul de
Paris, na França, e da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha, que
cruzaram dados de 62 estudos sobre ganho de peso e fim do tabagismo para
chegar a essas conclusões. Ainda de acordo com o estudo, entre todos os
fumantes que abandonam o cigarro, 37% engordam até cinco quilos; 34%
ganham entre cinco e dez quilos e 13% aumentam seu peso em mais de dez
quilos. Os outros 16% emagrecem.
Leia também: Em 2012, 37% dos casos de câncer no Brasil estarão relacionados ao tabagismo
Apenas 1 em cada 3 fumantes consegue abandonar o vício
Apenas 1 em cada 3 fumantes consegue abandonar o vício
A pesquisa indicou que o ganho de peso foi o mesmo independentemente do
tipo de terapia farmacológica usada pelos ex-fumantes e também não se
alterou entre pessoas que relataram se preocupar, ou não, com o fato de
correr o risco de engordar ao parar de fumar. Porém, segundo a equipe,
pessoas que usam reposição de nicotina podem ganhar menos peso, pois a
substância funciona como supressor de apetite e pode ajudar a aumentar a
taxa metabólica. No artigo, os autores enfatizam que, como muitos
fumantes desistem de abandonar o cigarro com medo de engordar, o
aconselhamento a essas pessoas deveria incluir recomendações para evitar
o ganho de peso.
Brasil — Um
estudo feito recentemente no Instituto do Coração do Hospital das
Clínicas (InCor) acompanhou 568 fumantes que desejavam largar o cigarro.
Segundo a pesquisa, entre os participantes que ficaram ao menos 12
meses sem fumar, 73% ganharam peso, 11% emagreceram e 16% mantiveram o
peso. O ganho médio de peso foi entre 4,7 e 5,6 quilos — e as mulheres
engordaram mais do que os homens. Ao relatarem como se sentiram após
abandonarem o cigarro, 85% das pessoas que engordaram disseram "estar se
sentindo melhor de saúde ao parar de fumar, apesar do ganho de peso",
sugerindo que a percepção do benefício da cessação do tabagismo é
referida pelo paciente como algo mais positivo que o conseqüente ganho
de peso. O artigo ainda será publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

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