Escritor e sociólogo Marcus Alves debate romance 'Pai Patrão', no Centro Cultural Dante Alighieri

O Centro Cultural Dante Alighieri de João Pessoa realiza palestra com o escritor e sociólogo Marcus Alves nesta sexta-feira (8), às 19h30. A informação é do presidente do Centro Dante, Normando Perazzo. Ele comentou que Marcus Alves discutirá com os descendentes de italianos, e os amantes da cultura, a literatura da Itália a partir do romance de Gavino Ledda, “Pai Patrão”.
Natural da região da Sardenha, Gavino Ledda, escreve Pai Patrão em 1975. Trata-se de uma obra autobiográfica na qual ele narra sua trajetória quando aos seis anos de idade foi retirado à força da escola por seu pai e levado para ser pastor de ovelhas. O livro, que virou filme homônimo realizado pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, é considerado uma obra de referência na literatura realista italiana.
Normando Perrazo informou que a palestra de Marcus Alves tem como título “Experiência e conhecimento na literatura de Gavino Ledda”. Marcus Alves, autor da novela “K Encontra Paludes” (Ed. Cartonera) comentou que o livro de Gavino Ledda está inscrito numa tradição da literatura realista e que pode dialogar com uma longa tradição da literatura europeia e brasileira que inclui autores como Émile Zola, Flaubert, Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Lins do Rego.
“Mas Pai Patrão carrega uma simbólica dupla nesse ambiente realista: além de ser uma narrativa marcada pela objetividade, clareza de linguagem e contenção emocional (marcas do realismo) é também um romance autobiográfico. Vou recortar alguns fragmentos da narrativa realista de Gavino Ledda, me apoiando no desejo de mostrar as aproximações e diferenças entre experiência e conhecimento”, acrescentou Marcus Alves.
O livro Pai Patrão, de acordo com ele, nos ajuda a compreender, a partir de uma arqueologia da infância, como a literatura pode integrar a vivência (experiência) com o processo de conhecimento na formação de um Ser humano.  “É uma narrativa permeada de violências promovidas por um pai, caracterizado pelo autor como um homem bruto, selvagem e quase uma pedra”, acrescentou.
Marcus Alves comentou ainda que a obra de Gavino Ledda participa de uma rica experiência literária italiana que pode envolver desde a Divina Comédia, de Dante, às lições de vida do Decameron, de Boccaccio. “Nessa linhagem não podemos esquecer obras fortes, modernas e pós-modernas, de Alberto Moravia, Dino Buzatti, Umberto Eco e Italo Calvino”, argumentou.
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BORGES NETO LUCENA INFORMA

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