Morte dos Mamonas Assassinas completa 25 anos nesta semana; reveja trajetória

 

No dia 02 de março de 1996, um acidente aéreo culminou com a morte de nove tripulantes de um avião de pequeno porte, colidiu na serra da Cantareira, em São Paulo, entre os ocupantes estavam os membros da banda Mamonas Assassinas, que estava em ascensão no país.

Em 2021, 25 anos depois, os artistas são relembrados com saudosismo pelos fãs. Alecsander Alves (Dinho), de 24 anos, vocalista e líder da banda; Alberto Hinoto (Bento), de 26, guitarrista; Júlio Cesar Barbosa (Júlio Rasec), de 28, tecladista; e os irmãos Samuel e Sérgio Reis de Oliveira (Samuel e Sérgio Reoli), de 22 e 26, respectivamente baixista e baterista, voltavam de um show em Brasília, o último de uma exaustiva turnê pelo país.

No mesmo avião estavam o piloto, Jorge Martins, o copiloto, Alberto Takeda, e dois funcionários da banda: o segurança Sérgio Saturnino Porto e o roadie (e primo de Dinho) Isaac Souto.

O grupo estourou em 1995 e vendeu, em apenas nove meses, mais de 1,2 milhão de discos, segundo o produtor musical dos Mamonas, Rick Bonadio. “Ganharam disco de diamante na época. Hoje já passam de 5 milhões de cópias.”

Tudo começou com o grupo de rock pop Utopia, inspirado em Legião Urbana e Cauza, e contava com Bento e os Irmãos Reoli. Dinho ingressou na banda ao informar que sabia cantar “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, em um show em São Paulo, apesar de não saber, mas sabia improvisar.

Depois entraram Márcio Araújo e Júlio Rasec. Em contato com Rick Bonadio, os músicos lançaram um LP com tiragem de mil cópias, mas apenas 100 foram vendidas.

Mamonas Assassinas surgiu após imitações que Dinho fazia durante shows enquanto mestre de cerimônias de um vereador. E daí surgiu a música “Robocop”. Outra composição dele “Mina” foi gravada e Dinho pediu para gravar outras canções debochadas, com arranjos bregas à la Reginaldo Rossi, para um churrasco que iria no dia seguinte.

O produtor pediu para que fossem feitas mais composições naquele estilo. Surgiram aí “pelados em Santos” e Robocop Gay”. Em seguida “Vira”, “Jumento Celestino”.

A banda queria manter o nome Utopia. Bonadio afirmou que isso não seria possível e pediu para que inventassem um novo nome. Nasceu, então, Mamonas Assassinas do Espaço. O “do Espaço” foi retirado, mantendo-se apenas os primeiros dois nomes.

A inspiração para o batismo veio de duas frentes: a planta mamona e uma mulher com seios grandes. O produtor contou que a homenagem foi à Mari Alexandre, musa inspiradora da banda.

As músicas foram um sucesso e uma gravadora se dispôs a mixar um disco. Para que isso ocorresse, porém, eram necessárias mais dez canções.

O tecladista Márcio Araújo saiu, deixando para Júlio Rasec o comando do instrumento. A aparência deles também mudou: no lugar dos cabelos comportados e das roupas estilo roqueiro, os Mamonas adotaram cabeleira colorida, perucas e chapéus espalhafatosos, vestidos de mulher, fantasias de Chapolin, de presidiários, entre outras.

As músicas debochadas e as roupas coloridas chamaram a atenção de um público diferente: as crianças.

Com isso os pedidos de shows surgiram em todo o Brasil, com até seis apresentações por semana. Eles fizeram fortuna e passaram a utilizar jatos executivos, em vez de utilizar aviões das grandes companhias. Um desses, o Learjet 25D, que partiu do Aeroporto Juscelino Kubitscheck, em Brasília, por volta das 22h de 2 de março de 1996, perdeu altitude quando o piloto já se preparava para pousar, 1h15 após a decolagem, e chocou-se na Serra da Cantareira, a 11 km, de Cumbica.

De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, colaboraram para o acidente a fadiga da tripulação (piloto e copiloto estariam trabalhando sem descanso havia 16 horas e 30 minutos) e a situação meteorológica, entre outros fatores. O relatório apontou que a “região sobrevoada pela aeronave apresentava circunstâncias ambientais limitadoras de visibilidade, porquanto trata-se de área de baixa densidade demográfica, quase sem iluminação, em uma noite escura e com cobertura de nuvens”.

Após o acidente fatal, os Mamonas Assassinas receberam uma série de homenagens póstumas em vias de Guarulhos, como uma praça com o nome da banda no Parque Cecap, e ruas com os nomes dos músicos, como a Rua Alecsander Alves, nome de batismo de Dinho, no bairro Villa Barros, onde o cantor morou.

Apesar de 25 do acidente, os músicos continuam vivos na memória dos fãs e de toda uma geração órfã do estilo debochado e único.

paraíba.com


FALA PARAÍBA-BORGES NETO