Brasil registra mais de 3.000 mortes pela Covid em 24 horas, e pandemia segue descontrolada

 


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escalada desenfreada de mortes no Brasil em decorrência do novo coronavírus atingiu nesta terça-feira (23) um patamar até recentemente inimaginável: em apenas 24 horas, 3.158 mortes por Covid-19 foram registradas no país, que vive o pior momento de sua crise sanitária desde que o Sars-CoV-2 foi detectado pela primeira vez, em fevereiro de 2020.

O país também registrou 84.996 casos. Assim, o Brasil chega a 298.843 óbitos e a 12.136.615 infecções desde o início da pandemia.Os dados dos últimos dias e os sucessivos recordes mostram, também, que a tendência é de aceleração, sem sinais de inflexão no horizonte enquanto a campanha de vacinação avança lentamente, com menos de 2,7% da população adulta imunizada com as duas doses necessárias.

Esse descontrole, para os estudiosos, resulta tanto do surgimentos de variantes mais vorazes do vírus no país como da falta de uma política nacional de combate à pandemia, sem o empenho do governo do presidente Jair Bolsonaro em promover o distanciamento social, municiar hospitais e investir na compra, a tempo hábil, das doses necessárias de vacinas.

O enorme número de vítimas registrado nesta terça é comparável aos atendados terroristas de 11 de setembro de 2001, que marcaram a história dos Estados Unidos.

Representa, também, mais de 19 vezes o número de mortes no acidente entre o jato Legacy e um Boeing da Gol, na Amazônia, e mais de 15 vezes o acidente do Voo 3054 da Tam, em São Paulo (SP).

Somente os Estados Unidos chegaram a um nível diário de mortes por Covid tão elevado, tendo registrado 4.470 mortes em 11 de janeiro de 2021, segundo a Universidade Johns Hopkins. O monitoramento do jornal americano The New York Times, aponta que o país chegou a registrar 5.463 mortes em 24 h (12 de fevereiro de 2021), mas devido a anormalidades de divulgação de dados.

Um olhar para as últimas semanas no Brasil mostra que as mórbidas marcas americanas podem não estar tão longe. O Brasil ultrapassou, pela primeira vez, os 2.000 mortos pela Covid em 24 horas no dia 10 deste mês. Desde então, os dois milhares de vidas perdidas se tornaram praticamente o padrão nos registros feitos pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretaria de saúde dos estados.

Os dados brasileiros são os aferidos pelo consórcio integrado por Folha de S.Paulo, UOL, G1, O Estado de S. Paulo, Extra e O Globo e coletados até as 20h.

Dos 14 dias desde o primeiro registro (e contando com o dia 10), nove registraram mais de 2.000 mortes e outros flertaram com a marca. As exceções foram os domingos e as segundas-feiras, dias em que, por atrasos de notificação, os dados costumam ser menores. Mas mesmo nessas datas, as mortes foram superiores a 1.000.