OPINIÃO: Algum especialista em saúde está disposto a endossar o terraplanismo bolsonarista?

 

Com a notícia da iminente da saúde do general Pazuello do Ministério da Saúde, vários nomes já estão sendo ventilados para a chefia da principal pasta do Brasil neste momento de pandemia desenfreada do coronavírus, dentre eles, o do cardiologista paraibano Marcelo Queiroga.

Com a troca do general, supostamente especialista em logística, teremos o quarto ministro da saúde em menos de um ano. O novo escolhido pegará uma herança sinistra de quase 280 mil mortos – o que põe o Brasil no 2º lugar do número de mortos no mundo por essa doença terrível e um ritmo de vacinação a conta-gotas.

Por estes fatores, o cenário já é dificílimo para quem assumir a árdua missão de brecar o avanço da doença e agilizar a vacinação da população brasileira. Mas, existem agravantes.

Bolsonaro ainda não abre mão do afrouxamento das medidas de isolamento social nem da implementação de protocolos que incluam remédios sem comprovação científica no dito “tratamento precoce” da Covid-19.

Imagine um astrônomo ter que defender publicamente que a terra é plana? Pois é. Que médico irá colocar sua credibilidade, construída há décadas, para endossar o terraplanismo científico que o presidente tem adotado para tratar das questões relacionadas à pandemia do coronavírus?

Ou o presidente muda de postura radicalmente (o que já tem sido sinalizado com a volta do ex-presidente Lula ao jogo político), ou algum médico respeitado aceita jogar sua reputação no lixo, ou o Ministério da Saúde fica acéfalo por um longo tempo, ou a pasta cai no colo de algum político ou militar, que não entenda nada de saúde, mas sim de bajular o presidente.

Desses cenários, o primeiro é o menos desalentador, porém, o mais improvável.

Feliphe Rojas


BORGES NETO LUCENA INFORMA