‘Kit covid’ – Vereadores bolsonaristas na CMJP voltam a defender tratamento precoce: “É nisso que temos confiança”

 

Durante a Peste Negra que assolou a Europa no século 14, os médicos recorreram aos mais diversos “tratamentos” para lidar com as doenças. Alguns apostaram numa técnica de esfregar cebolas ou carne de cobra nos furúnculos que apareciam na pele. Outros sugeriam que os pacientes sentassem perto de fogueiras ou de fezes para expulsar a doença do corpo.

Mais recentemente, quando a gripe espanhola de 1918 se espalhou pelos continentes, também não faltaram terapias milagrosas para lidar com a crise sanitária. Alguns especialistas lançaram fórmulas à base de formol, canela e até flores de jasmim amarelo para “curar” a doença que matou milhões de pessoas no mundo todo.

O mesmo cenário volta a se repetir agora, durante a pandemia de covid-19. Em meio a um número crescente de casos e mortes, parte dos médicos, parte da população e até o Ministério da Saúde defenderam um suposto tratamento precoce contra o coronavírus cuja eficácia não foi comprovada até o momento. Esse tratamento do ‘Kit Covid’ foi defendido ontem (06), na Câmara Municipal de João Pessoa (CMCG), pelos vereadores Eliza Virgínia (Progressistas) e Bispo José Luiz (Republicanos), que fazem parte da Comissão Especial de Estudos para Debater o Tratamento Inicial Contra a Covid-19, defenderam que o tratamento precoce deve ser uma forma de combater a pandemia, junto com a vacinação.

“Realmente, quem tem uma pessoa da família, vereador, que morreu com covid-19, pode até pensar diferente, mas graças a Deus as pessoas da minha família se trataram precocemente. Eu me tratei precocemente, tive covid, não evoluiu. A ivermectina, tão malhada por aí, já está sendo utilizada no Peru, na Índia, onde teve a curva decrescente por conta do Ministério da Saúde desses lugares terem adotado o tratamento inicial, e é nisso que nós temos confiança. Não apenas na vacina”, comentou Eliza, ao defender o tratamento precoce contra a covid-19, através do uso de medicamentos como a ivermectina.

Já o vereador Bispo José Luiz (Republicanos), que também faz parte da Comissão Especial integrada por Eliza, defendeu o uso de medicamentos para prevenir a covid-19 como forma de evitar as internações pela doença. “Quando a gente fala de tratamento precoce fica parecendo que nós somos a favor da morte. Pelo contrário, quando a gente defende que deve haver um tratamento precoce é justamente para as pessoas não chegarem aos hospitais. Tem que esperar piorar para receber as medicações devidas?”

Segundo diversos estudos rigorosos realizados ao redor do mundo, medicamentos que integram esse “kit covid” ofertado nas fases iniciais da doença no Brasil já se mostraram inclusive ineficazes ou até mais prejudiciais do que benéficos quando administrados nos quadros leves, moderados e graves de covid-19.

Ao longo dos últimos meses, diversas entidades nacionais e internacionais se posicionaram contra o coquetel de medicamentos promovido pelo governo Bolsonaro, que inclui a hidroxicloroquina, a azitromicina, a ivermectina e a nitazoxanida, além dos suplementos de zinco e das vitaminas C e D. Atualmente, esse mix farmacológico não é reconhecido ou chega a ser contraindicado por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e da Europa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

PB AGORA


BORGES NETO LUCENA INFORMA