Criptomoedas têm nova alta com realocação de mineradores pelo mundo

 


A cotação do bitcoin começa a demonstrar sinais de recuperação depois do viés de baixa apresentado nos últimos meses.

O movimento acompanha o cenário de descentralização do mercado de mineração, que havia sofrido com um grande período de incertezas depois de um posicionamento mais rígido da China em relação às criptomoedas. O país era responsável por mais da metade da produção global de bitcoins.

A mineração é o processo por meio do qual são colocadas no mercado novas unidades de bitcoins e criptomoedas. Para que novos ativos sejam encontrados é necessário resolver diversos problemas matemáticos complexos -ação feita por computadores de altíssima capacidade.

Apesar de as críticas do governo chinês ao segmento já virem desde 2017, foi apenas neste ano que se intensificou a fiscalização e se reforçou a proibição das atividades relacionadas a criptoativos ""o que forçou mineradores a saírem do gigantes asiático em busca de outras regiões onde pudessem continuar a atividade.

"Com a saída dos mineradores da China, a mineração diminuiu muito e o hashrate caiu pela metade. Outros países do mundo acabaram acolhendo esses mineradores nos últimos meses e eles, agora, começaram a religar as máquinas. Desde o final de julho o mercado já tem demonstrado certa recuperação", afirmou o presidente da Foxbit, João Canhada.

Hashrate é o indicador utilizado para medir o poder computacional (velocidade) da mineração ao redor do mundo.

Dados da CoinMarketCap apontam que a cotação do bitcoin chegou a cair 9,7%, a R$ 155.480, em 25 de junho ""momento em que o governo chinês reforçou a proibição da criptomoeda no país.

Na última semana até 12 de agosto, o criptoativo acumulou alta de 3,2% e encerrou cotado a R$ 231.902.

"Em agosto, estamos no maior valor de hashrate dos últimos 30 dias e isso já começa a se replicar em relação ao bitcoin. Com a descentralização da China, a rede não apenas continua segura como, agora, está melhor distribuída", disse Canhada.

Outro ponto que interferiu na cotação dos criptoativos nos últimos meses foram os comentários feitos pelo presidente da Tesla, Elon Musk. O empresário, que havia permitido que a Tesla aceitasse o bitcoin como pagamento, inverteu o seu apoio ao ativo, atribuindo a decisão a preocupações ambientais em relação ao processo de mineração.

"Quando houver a confirmação de uso razoável (de pelo menos 50%) de energia limpa por mineradores, com tendência positiva, a Tesla voltará a permitir transações de bitcoin", publicou Musk em meados de junho.

Segundo o presidente da Bitcoin Trade, Bernardo Teixeira, essas movimentações da cotação são normais em criptoativos. Ele afirma que a tendência é positiva daqui para frente.

"Já começamos a ter muita gente voltando para o mercado, o volume das exchanges [corretoras] já voltando a subir. Agora pode ser uma boa hora para voltar, principalmente porque as pessoas cada vez têm mais confiança no mundo de cripto", disse.

Para os investidores que querem entrar agora no mundo das criptomoedas, os executivos afirmam que é preciso atenção.

"É preciso ter em mente que os criptoativos são um investimento arriscado. E a primeira dica é que o investidor não tente ficar acertando o movimento de alta ou de baixa para entrar. A melhor opção é o famoso preço médio", disse Canhada.

"Além disso, a recomendação é que haja uma alocação de até 5% do portfólio em investimentos em criptoativos para que seja uma carteira saudável. Mas isso não significa fazer os 5% de uma vez, pode fazer aos pouquinhos e é importante sempre estudar para entender os riscos", completou.

A escolha das moedas também é importante. "A sugestão para os iniciantes é que eles fiquem nas moedas mais conhecidas, como bitcoin e ethereum. Outra coisa que pode ajudar é usar uma estratégia de compras picadas e programadas, mas é preciso ter sangue frio", afirmou Teixeira, da Bitcoin Trade.

Os executivos afirmam, ainda, que é importante verificar se a corretora é de confiança.

Para Canhada, os processos simples, como a busca pelo CNPJ da empresa e a análise do histórico de reclamações, já podem ajudar o investidor.

"É preciso ter cuidado entre os aspectos de segurança também, porque as criptomoedas são ativos digitais que não têm devolução se forem perdidas. O mercado tem evoluído e as expectativas são positivas", completou.