Sanitarista endossa discurso de Queiroga e defende fim de uso da máscara; especialista rebate e diz que acessório é imprescindível

 

“É como usar uma grade na janela da sua casa, parece um bloqueio, mas não vai impedir de a poeira entrar”. A declaração é do médico sanitarista, Venilton Holanda, durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, do Sistema Arapuan de Comunicação nesta quinta-feira (19). Ele saiu em defesa da abolição do uso de máscara ao endossar o discurso do ministro da Saúde, o paraibano Marcelo Queiroga, que criticou a obrigatoriedade do item. Segundo o especialista, a transmissão do coronavírus é microscópica e não há como evitar o contágio das variantes, mesmo com o uso do acessório.

Venilton Holanda apontou que variantes, a exemplo da Delta e a Indiana, são transmitidas por meio de contato com a mucosa e não existe acessório capaz de bloquear o contato. Ele classificou o fim do uso obrigatório de máscara como tardia e que a conscientização na higienização é a medida mais eficaz de prevenção contra a doença.

Eu vejo essa medida como tardia, nós vamos ter outras variantes como a B1617 [indiana] com transmissão por meio da mucosa anal, vaginal, ouvido, nariz, boca. Então o contagio desse vírus, com o fungo preto associado, é por outras vias e você não vai usar máscara no olho, no ouvido, na boca. O importante é a conscientização e evitar ter contato com a mucosa”, disse.

“Essa forma viral já está na Paraíba e não adianta você usar máscara e coçar o ouvido, nariz, até mesmo a parte intima. Já foi o tempo da máscara e além disso quem inventou esse negócio desconhece o que são partículas. Os vírus são microscópicos e não existe nenhuma máscara, a não ser um plástico envolvendo a pessoa que impeça o vírus de entrar. A função da máscara é para quem tosse ou espirar e evitar um bloqueio, então endosso e tá na hora de abolir”, explicou.

Especialista rebate

O médico infectologista, Fernando Chagas, afirmou durante entrevista ao Sistema Arapuan de Comunicação, que a continuidade do uso da máscara é imprescindível para evitar a transmissão das variantes. Segundo o especialista, a mutação Delta do vírus tem uma carga viral 1.232 vezes maior que a Gama, primeira identificada no Brasil e que provocou um colapso na rede de saúde nos meses de fevereiro a abril.

Fernando apontou que a Delta se concentra na mucosa nasal e máscara serve como um bloqueio para evitar que a pessoa infectada ao espirar ou tossir, por exemplo, evite uma maior transmissão.

“A variante Delta tem uma característica diferente em relação a outras e isso tem preocupado todo o mundo, não é exclusividade nossa, que é uma variante que tem uma carga viral 1.232 vezes maior na mucosa nasal, que é onde ela se transmite, do que por exemplo a variante Gama que tanto nos fez sofrer nos meses de fevereiro e abril. Então é uma variante que se concentra mais na mucosa nasal, onde a gente espirra, tosse, que é a grande característica de transmissão desse tipo de vírus. Consequentemente ela serve de anteparo, bloqueio, uma barreira que se evite que se jogue toda essa carga viral”, afirmou.

“Essa variante [Delta] é mais transmissível que a varicela, que é um vírus que transmite a catapora e que tem a característica de ser muito transmissível. Portanto, o uso da máscara é imprescindível até que ao menos 70, 80% da população esteja totalmente vacinada. Se até o final do ano a gente alcançar esses números, concordo plenamente em flexibilizar o uso da máscara, iniciando pela liberação em ambientes em abertos, depois fechadas”, afirmou Fernando Chagas.

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FALA PARAÍBA-BORGE SNETO