Depoimentos à Seap revelam brigas e ameaças na cela da mãe de Henry e presas por outros crimes famosos

 


O convívio entre sete presas, suspeitas de praticarem crimes de grande repercussão em uma das unidades do Complexo Penitenciário de Gericinó, revelou à gestão da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) uma série de denúncias de episódios de violência, acusações e ameaças pelas detentas. O assunto virou tema de um procedimento disciplinar da secretaria para apurar as denúncias.

O g1 teve acesso a depoimentos e apurou a rotina da cela K, onde as sete detentas cumpriram pena.

Em meio às brigas está Monique Medeiros, acusada de participação no homicídio do próprio filho, o menino Henry Borel, em março de 2021.

O conflito entre elas na prisão atingiu tal nível que Monique, alegando ser vítima de ameaças, pediu à Justiça, na audiência do dia 9 de fevereiro, a transferência da cela.

O caso levou a Seap a ouvir as outras seis detentas que, até então, ficavam presas com a ex-mulher de Jairinho. Nenhuma delas havia relatado qualquer conflito com Monique.

Até esta audiência, Monique Medeiros dividia a cela com seis detentas:

  • Elaine Pereira Figueiredo Lessa - Presa por tráfico internacional de armas, ela é mulher do PM reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes;
  • Karina Lepri Franco - Dentista que tramou com o amante miliciano a morte do marido, um diretor da Shell;
  • Priscilla Laranjeira Nunes de Oliveira - Síndica de prédio na Barra da Tijuca que tramou a morte de vizinho junto com o funcionário e amante;
  • Fernanda Silva de Almeida, a “Fernanda Bumbum” - Presa por planejar a morte de rival de procedimento estético e casada com um ex-PM, condenado pela chacina da Baixada Fluminense;
  • Bruna Adrielly Correia Carlos - Presa na Rodovia Dutra com 750kg de maconha;
  • Cintia Gomes de Oliveira - Presa por adulteração de sinal de identificador de veículo e corrupção ativa.

 
Ao ouvi-las em depoimento, a Seap recebeu novos relatos de uma série de conflitos entre elas.

No Serviço de Segurança e Disciplina da Seap, Monique contou que a “briga” com uma das presas (o nome da detenta foi revelado à juíza, escrito em uma folha de papel) teria começado enquanto ainda estavam em outra unidade: na cela 02 do Instituto Penal Oscar Stevenson.

A presa apontada por Monique à magistrada é Fernanda Almeida, a “Fernanda Bumbum”, que acabou transferida para outra cela da mesma unidade. Em depoimento, Monique detalhou o conflito entre as presas:

“Toda briga começou por conta de um benjamim da interna Elaine (mulher de Lessa), que foi jogado dentro da descarga, colocando o interruptor molhado na tomada, para que a mesma levasse choque e queimasse a sua TV. Nesse momento, a interna disse que tirou o benjamim e começou a discussão e todas as ofensas e ameaças”.

Segundo Monique, nas ameaças, “inclusive de morte”, “Fernanda Bumbum” teria dito “que colocaria panos no seu rosto enquanto ela estivesse dormindo. Depois a socaria até não acordar e usaria um estoque no ouvido e na barriga da interna”.

O g1 apurou que, apesar das revelações em juízo, Monique não quis “levar a ameaça à sede policial” e se disse segura com as outras detentas da cela. Por isso, Fernanda foi a única a ser transferida.

O fato foi confirmado por Elaine, mulher do policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, e por Priscilla Oliveira, presa por tramar a morte de um vizinho junto com o amante.

Elaine e Priscilla disseram ter presenciado Monique sendo ameaçada por Fernanda. “[A detenta] revela que Monique já foi ameaçada por Fernanda quando pertenciam à mesma cela”.

Já a acusada de matar o próprio marido, Karina Franco, disse que “sabe que Monique e Fernanda têm “rusgas” particulares, que uma não gosta da outra”, mas que “em nenhum momento ouviu ameaças, apenas trocas de “xingamentos” entre elas”.

Em relação às ameaças, Fernanda negou as acusações. Ela relatou que a mãe de Henry teria mudado ao sair do “seguro”, local no presídio onde ficou isolada, para se proteger de possíveis ameaças.

“Nunca teve problemas com Monique e que no início de fevereiro pediu à Monique a prancha de cabelo emprestada. Diz que Monique, após ter saído do seguro, se tornou uma pessoa completamente diferente, prepotente, manipuladora e fofoqueira. Que Monique decidiu sair do grupo de orações por problemas de fofoca”.

Segundo Fernanda, as ameaças teriam partido de outras presas: “No dia 07/02/2022, no procedimento de revista, Monique foi ameaçada por “meninas” que falavam: 'você é a mãe do Henry, sua safada'”.

Chamado para prestar depoimento, o advogado Lucas Amaral Antunes disse que “tomou ciência de que a unidade iria proceder ao crime de ameaça, em razão do depoimento de sua cliente na audiência realizada no dia 09/02, mas o mesmo se manifestou pela não apresentação da sua cliente em sede de delegacia policial”.

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