Maestro Jaime Alem e Nair Cândia lançam nas plataformas “Amanheceremos” de 1979

 

Este ano, o arranjador e maestro Jaime Alem deu início os leilões de clássicos projetos musicais, gravados em 1979, em formato de NFTs. O álbum “Amanheceremos” em parceria com Nair Cândia, já está disponibilizado nas plataforma digitais, com distribuição da Agente Digital.

O álbum, lançado em 1979 de forma independente, havia se transformado em item de colecionador e agora ganha as plataformas de streaming. “Amanheceremos” tem ainda a participação do cantor Gonzaguinha na faixa título.

Desde de março passado, Jaime Alem está no mundo dos NFTs (tokens não-fungíveis) disponibilizando 10 cópias de vários conteúdos inéditos e exclusivos, como um exemplar de vinil original autografado.

Vamos lá. Cinco NFTs (tokens não-fungíveis) com 10 cópias cada um, contendo o produto no formato mp4, com certificados de blockchain, além de três fonogramas nunca lançados de Jaime e Nair, gravados no ano de 1979 e um material que traz vídeos com fotos inéditas e registros de época serão vendidos. “Finalmente Nair e eu estamos realizando o sonho de lançar o álbum ‘Amanheceremos’ no formato digital, era uma demanda antiga dos aficionados por esse disco”, comenta Jaime Alem.

“Os streamings são fato consumado e a novidade dos NFTs é muito bem-vinda, pois abre uma porta direta para os fãs terem acesso a um material de áudio e vídeo inédito e exclusivo, podemos dizer histórico, incluindo músicas que não entraram no LP de 1979. É tudo muito novo, mas temos uma boa expectativa, principalmente porque esperamos obter o suficiente para financiar o próximo disco de Jaime e Nair”, completa o cantor.

Alem revela estar muito empolgado para o relançamento digital do álbum “Amanheceremos”, por tudo que ele representa em um dos momentos políticos mais conturbados pelo qual o Brasil passou, a ditadura militar, e o engajamento que o projeto proporcionou ao movimento pela Anistia. Jaime lembra que faz total sentido tomar essa decisão agora, tanto pelo pedido dos fãs, quanto pelo momento político atual que o país se encontra.

O que é NFT?

A sigla NFT significa Non-fungible token (tokens não-fungíveis), são registros de um ativo em formato digital, a compra de um desses artigos te garante um certificado de autenticidade, e a posse do item adquirido. Para melhor entendimento, é como se o quadro original de um artista se encontrasse em um determinado museu, isso não significa que outra pessoa não possa comprar uma reprodução do mesmo, mas a detenção da peça original não pertencerá a ela. Os NFTs seguem a mesma lógica, eles são certificados de autenticidade referentes a um determinado arquivo disponível na internet registrados na blockchain.

Com tantas novidades, Jaime, mais conhecido por ter sido diretor artístico de Maria Bethânia por 28 anos, conversou com o MaisPB ele e sua mulher Nair Cândia, e falam desse projeto e das novidades que irão.

MaisPB – Maestro, qual é sensação de ver um disco relançado nas plataformas cujo título “Amanhecemos”, é sempre atual?

Jaime Alem – Acredito que vários temas deste disco são atuais, principalmente quando aborda de forma poética as questões políticos sociais. O Brasil de hoje é um arremedo da ditadura que vivemos no passado. Daí a atualidade do Amanheceremos

MaisPB – Como se deu a gestação desse disco, lá nos anos 70. Você e Nair Cândia pensaram juntos?

Jaime Alem – As músicas foram geradas em meio à temporada de shows itinerantes , a partir de 1977, pelo estado do Rio, interior e São Paulo e Minas Gerais. Muitas foram compostas na estrada.

MaisPB – Com sua experiência de excelente músico agora o senhor aposta formato dos NFTS, Vamos falar dessa descoberta?

Jaime Alem – Ainda é uma novidade. Acho que os NFT precisam ainda de tempo para formar o público investidor em arte digital. Nós saímos na frente porque vemos futuro para os artistas no NFT. Acho que é uma solução de médio e longo prazo.

MaisPB – Lembra como foi o convite para Gonzaguinha cantar nesse disco, a canção que dá nome ao disco?

Jaime Alem – Havíamos participado de shows coletivos em defesa da regulamentação dos direitos autorais, tínhamos afinidade ideológica e nós tornamos amigos. A participação de Gonzaguinha foi uma decorrência natural.

MaisPB – Aliás, conta pra gente do movimento SOMBRAS?

Jaime Alem – Havia na época algumas empresas com o monopólio na arrecadação dos direitos dos autores que deixavam dúvidas quanto à lisura na distribuição dos pagamentos. Daí a nata da MPB decidiu por fazer shows, denunciando e proclamando a criação de um sistema de arrecadação mais justo. SOMBRAS era o nome desse coletivo e dos shows.

MaisPB – Todas as canções são suas, exceto “Didática”, numa parceria com Antonio Kraushe. Vamos falar dessa canção?

Jaime Alem – Didática” nasceu de uma poesia denunciando as condições de uma presa política brasileira no Uruguai. É muito dramática e a interpretação da Nair é antológica. É um hino em defesa das mulheres.

MaisPB – Maestro entrevistei Moisés Navarro, que lançou um EP cantando com Zé Mota, com direção sua. Há um mês entrevistei João Fênix, artista pernambucano, que seu crivo em quase toda obra dele. Como Alem ver o trabalho desses novos artistas?

Jaime Além – Esses novos artistas são sempre bem-vindos. A renovação é necessária e eu me sinto feliz e à vontade em trabalhar com novos artistas. O Moisés é uma grata revelação mineira com apenas quatro anos de carreira de muito potencial e o João Fênix, que tem um registro de voz único, mantém uma carreira sólida e já estamos gravando coisas novas.

MaisPB – Quando teremos um novo disco de Jaime Alem?

Jaime Alem – Tenho muitas composições prontas e o momento para um disco novo disco está próximo. Talvez pra este ano. Pra falar a verdade, estou fazendo tantas coisas que às vezes passa da conta. Estou finalizando um disco com a Rita Benneditto. Ufa! Mas eu e Nair já estamos ensaiando para o próximo disco.

MaisPB – O senhor já trabalhou com Maria Bethânia, Elba Ramalho, Alcione, Rita Benneditto, Sueli Costa, João Fenix, Joyce Moreno, Marcel Powell, além do encontro de Maria Bethânia com Zeca Pagodinho em “De Santo Amaro a Xerém”. Poderia resumir o que isso representou em sua carreira?

Jaime Alem – Trabalhar com estes artistas é gratificante. Só tenho a agradecer por ter tido a oportunidade de contribuir com trabalhos importantes. É, além de tudo um grande aprendizado.

MaisPB – Quem é Jaime Alem?

Jaime Alem – Jaime Alem é uma pessoa simples, às vezes angustiada, que sofre com as injustiças em nosso país, mas de essência alegre e às vezes intenso além da conta.

MaisPB – Nair, como você vê um trabalho primoroso seu e de Alem tantos anos depois chegar as plataformas?

Nair Cândia – É um momento de muita alegria com o qual sonhava há muito tempo, reencontrar os fãs do Amanheceremos e poder cantar essas músicas.

MaisPB – Você tem outros trabalhos feitos com Jaime Alem?

Nais Cândia – Estamos juntos desde a adolescência, cantando em festivais, em conjuntos de bailes, uma vida musicalmente bem vivida. Gravamos o LP Jaime e Nair, o Amanheceremos, o meu disco solo ” Canção de Um Outro Dia”, os LPs “Talentos Brasileiros” com as obras de Milton Nascimento, Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque e o nosso preferido Dorival Caymmi. Muitos shows também. Sempre juntos. Fiz alguns trabalhos avulsos para a gravadora Far Out, da Inglaterra, do produtor Joe Davis.

MaisPB – Com uma voz bonita, Nair não pensa em retomar aos palcos?

Nair Cândia – Obrigado pela ” voz tão bonita” (risos). Ainda um pouco assustados com a pandemia, recebemos muitos convites, por enquanto fazendo planos, quem sabe faremos um Live.

MaisPB – A música uniu vocês?

Nair Cândia – Com certeza, na vida e no amor. Já vamos para as bodas de ouro este ano. Um motivo para comemorar com um grande show cercado de amigos.

MaisPB — Fale mais do disco e da faixa que você canta com Gonzaguinha:

Nair Cândia – O Amanheceremos é uma das experiências mais emocionantes da minha vida. A música Didática me dilacerou, talvez seja a minha interpretação mais forte. Cantar ao lado do Gonzaguinha, um dos nossos maiores compositores, com aquela voz linda, foi como um sonho. E como ficou forte o refrão do Amanheceremos na voz dele: “viver, viver, não pra morrer, pra renascer, cada dia”. Ainda hoje sinto a presença dele. Muita saudade.

MAIS PB


BORGES NETO LUCENA INFORMA