Presidente do STF afirma que fraudes existiam nas eleições antes das urnas eletrônicas

 

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Rosa Weber, defendeu nesta quarta-feira as urnas eletrônicas. Em encontro por videoconferência com a cúpula do Judiciário dos países do Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ela disse que havia fraudes antes da adoção do sistema de votação eletrônico. Segundo a presidente do STF, as urnas permitem uma votação confiável e uma apuração rápida.

— O Brasil tem histórico de confiança no uso de tecnologia inovadora para solução de problemas institucionais. Talvez o caso de maior destaque, nesse ponto, se refira ao nosso sistema eleitoral, que substituiu a votação por cédulas de papel, que possibilitava muitas fraudes, por um método informatizado desde 1996, com a implantação do sistema de urnas eletrônicas auditáveis — disse Rosa Weber.

Ela também destacou:

— Os votos digitais permitem confiança e velocidade na apuração, de modo a viabilizar a declaração dos resultados no mesmo dia.

Rosa Weber não citou o nome do presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente ataca, sem provas, a confiabilidade das urnas. A ministra lembrou a última eleição geral, em 2018, quando ela era presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Nas eleições gerais de 2018, por exemplo, para presidente da República, governadores e parlamentares, foram contabilizados quase 116 milhões de votos, em mais de 450 locais de votação espalhados pelo imenso território do país. Trata-se de feito singular e que apresenta melhor performance quando comparado com quaisquer outros métodos, e cuja credibilidade e legitimidade são evidenciadas pela inexistência de demonstração efetiva de falhas no sistema ao longo dos quase trinta anos de sua aplicação — disse a presidente do STF.

No encontro, Rosa Weber também falou do uso da tecnologia na Justiça brasileira, como por exemplo sistemas de inteligência artificial.

— O uso intensivo de tecnologia pode fazer com que o grande volume de processos, fator historicamente apontado como entrave para a entrega de uma jurisdição efetiva e célere, possa ser revertido em conhecimento prático que, por sua vez, estará apto a proporcionar novas visões e perspectivas de governança, das quais poderão ser extraídas respostas eficazes — disse a ministra.

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