Arte urbana homenageia músicos no centenário de Jackson do Pandeiro

Obras de grafite sobre lona, de 15 metros quadrados, retratando artistas nacionais e musicalidades, marcam o centenário de nascimento do cantor e compositor paraibano José Gomes Filho, o Jackson do Pandeiro. Os paineis integram o projeto Galerias Urbanas, do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Sousa), e estão expostos nas áreas externas das agências do BNB em Sousa, em Campina Grande e em Patos.
Além de homenagear o “Rei do Ritmo”, o projeto busca aproximar a população dos três municípios e de cidades circunvizinhas ao universo da arte urbana, por meio do grafite, apresentando os trabalhos dos grafiteiros paraibanos Thayroni Arruda, Francisco José Souto Leite, o “Shiko”, e Flora Santos.
São representados nos paineis o próprio Jackson do Pandeiro, Sivuca, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Kátia de França e Zabé da Loca. Algumas das obras inspiram-se na musicalidade de Jackson. É o caso da obra que representa a composição “Sebastiana”, coco de autoria de Rosil Cavalcante, gravado por Jackson em 1953.
Berço em Nova Iorque
O grafite como manifestação artística surgiu nos anos 1970, em Nova Iorque, apropriando-se de espaços públicos e em associação a outros movimentos, a exemplo do Hip Hop. O grafite permite ao artista criar uma linguagem intencional para interferir na cidade e provocar o público sobre um tema.
Para Flora Santos, criadora da obras que retratam Kátia de França, Zé Ramalho e Elba, expostas em Sousa, a emoção reforça os laços culturais. “A música paraibana é rica demais e merece ser exaltada. Posso correr mundo afora, mas nada me emociona tanto quanto a nossa música cantada da nossa forma. No fim das contas, estamos conversando sobre coisas que vivemos e percebemos por ângulos bem próximos”, destaca.
Ao avaliar a proposta do projeto Galerias Urbanas, Thayroni Arruda, criador das obras em exposição em Campina Grande, diz que “o grafite é tanto uma representação da sociedade quanto uma forma artística gestada nas contradições desta mesma sociedade. Neste sentido, tem passado por transformações, deslocando-se dos lugares tradicionais e passando a ser apresentado em galerias, museus, além de ter se incorporado à linguagem publicitária, tornado produto e até desmaterializado nas interações com a arte virtual ou a cibercultura”, observa.
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BORGES NETO LUCENA INFORMA

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