Dois dias depois, Bolsonaro comenta 500 mil mortes por Covid: 'Lamento muito'


 O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se manifestou nesta segunda-feira (21) pela primeira vez sobre as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil, marca registrada no sábado (19). A fala ocorreu em uma coletiva para a imprensa durante uma agenda em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Apesar do discurso, Bolsonaro defendeu o tratamento precoce, feito com medicamentos sem eficácia contra a Covid, como forma de reduzir o número de vítimas da doença.

"Lamento todos os óbitos, muito. Qualquer óbito é uma dor na família. Desde o começo, o governo federal teve a coragem de falar em tratamento precoce. E alguns até dizem como está sendo conduzida essa questão, parece que é melhor se consultar com jornalistas do que com médicos", disse.

O que Bolsonaro chama de tratamento precoce é uso de medicamentos contraindicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à pandemia. Especialistas internacionais ligados à organização consideram que estes remédios não trazem benefícios na cura e ainda podem levar a sérios danos à saúde do paciente.

Durante a entrevista, Bolsonaro permaneceu de máscara. Diferente do que foi visto pela manhã, enquanto participava de uma solenidade na Aeronáutica na cidade. Ao ser questionado pelos jornalistas, ele arrancou a proteção que usava e ainda ofendeu repórteres. "Você tinha que ter vergonha na cara de prestar um serviço porco que é esse que você faz", disse o presidente.

Desde a tarde de sábado (19), quando o Brasil atingiu a marca de meio milhão de pessoas mortas pela doença, Bolsonaro não havia se manifestado. No mesmo dia em que o país atingiu a marca, a Casa Civil divulgou uma nota com um balanço dos primeiros 900 dias do governo, mas não citou as mortes.

Apesar de lamentar, Bolsonaro reforçou em sua fala o uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da Covid.

"Eu fui um dos raros chefe de estado do mundo que teve a coragem de falar em tratamento precoce. Mais do que isso, eu defendo a liberdade do médico poder tratar o seu paciente. E assim entende o conselho federal de medicina que no meu entender é o órgão adequado para tratar o assunto", concluiu.

Sem máscara

O presidente cumpria uma agenda em Guaratinguetá para acompanhar a formatura na escola da Aeronáutica em Guaratinguetá na manhã desta segunda-feira. O evento foi fechado, mas na chegada ele desceu do carro oficial e, sem máscara, cumprimentou apoiadores que se aglomeravam em frente a escola.

O uso da máscara é exigido no estado de São Paulo com previsão de multa em caso de descumprimento. Em 12 de junho, Jair Bolsonaro foi multado em R$ 552,71 por não usar máscara durante um passeio com motociclistas na capital.

Ao ser questionado sobre não ter usado a máscara novamente em ação no estado durante a entrevista com jornalistas, o presidente arrancou a proteção e ofendeu jornalistas. "Eu chego como eu quiser, onde eu quiser. Tá certo?! Eu cuido da minha vida. Se você não quiser usar máscara, não use", disse.

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