Moção de apoio a Roberto Jefferson divide opiniões e é rejeitada na Câmara de João Pessoa

 

A vice-presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Eliza Virginia (Progressistas), apresentou nesta terça-feira (17), voto de solidariedade ao presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, preso pela Polícia Federal após mandado deferido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A proposta foi rejeitada por ampla maioria na Casa de Napoleão Laureano.

Na argumentação, a vereadora alegou que a independência dos Poderes é prerrogativa e que, o ministro do Supremo, extrapolou os limites da Constituição ao abrir procedimento, investigar e mandar prender sem autonomia. Segundo ela, os próximos a terem a sua liberdade de opinião censurada será a própria imprensa.

“Isso é uma derrota a nossa democracia. Porque Roberto Jefferson está preso? Qual o crime que ele cometeu? Será que foi por opinião? E existe isso agora no ordenamento jurídico do Brasil? Que eu saiba ainda não. Nossa palavra é absoluta. Eu posso não concordar com o que você disser, mas defendo até morrer o direito de você dizer. Nisso um preso, outro é preso e os que defendem ficam tranquilos, mas vai chegar um momento, inclusive jornalistas, vão ser presos por sua opinião”, disse.

O vereador Marcos Henriques (PT), que votou contra o voto de solidariedade, afirmou que Eliza presta desserviço aos pessoenses ao trazer em pauta uma matéria de intolerância que não cabe em um regime democrático. Ele citou ainda que a atenção da Casa deve ser voltada para pautas de políticas sociais, discussão sobre saídas da crise financeira.

“Com tanta coisa importante para gente discutir na cidade de João Pessoa se traz um voto de solidariedade a uma pessoa que está pregando o ódio no nosso país e alimenta a raiva contra os Poderes. É importante que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário sejam respeitadas porque alternativa a isso é o golpe. Então se essas pessoas estão incitando o ódio, essas pessoas estão cometendo um crime, não é uma simples opinião”, afirmou Marcos Henriques.