Fundador da Anvisa diz que Marcelo Queiroga tem responsabilidade por aplicação de vacina de adultos em crianças na Paraíba

 


O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem responsabilidade pela aplicação de vacinas de adultos em crianças o município de Lucena, no Litoral Norte da Paraíba. Pelo menos 200 pessoas, sendo 49 crianças, tomaram a vacina vencida na cidade.

“Esse sujeito [Marcelo Queiroga] é um crápula. A responsabilidade dessa ocorrência é dele. É o Ministério da Saúde que está ausente do processo de vacinação”, disse Vecina, em entrevista ao canal UOL News. De acordo com ele, “há seis meses o PNI não tem um coordenador”, informou, como obteve o ClickPB.

Vecina ainda deixa claro as ações que estão faltando no Brasil no campo da educação. “Nós não estamos fazendo campanha de vacinação. Nós não estamos propiciando treinamento dos nossos técnicos de enfermagem que fazem a vacinação lá na ponta”, frisou.

Ainda de acordo com o médico sanitarista e fundador da Anvisa, a responsabilidade da vacinação é exclusiva do Ministério da Saúde, pois isso consta na lei de 1975, que cria o Programa Nacional de Imunização (PNI). “Esse crápula fala hipocritamente das responsabilidades dele atribuindo-as a um coitado do técnico de enfermagem que está no fim da linha na Paraíba. Todos erram. Ele é o erro detonador”, comentou.

O caso de Lucena

O escândalo veio à tona na última sexta-feira (14), quando o ClickPB trouxe, em primeira mão, a denúncia de uma mãe de que crianças haviam sido imunizadas antes da chegada da vacina pediátrica na Paraíba. Vale ressaltar que a vacina para o público infantil é da Pfizer, mas a dosagem é um terço da do adulto e o frasco tem uma tampa de cor alaranjada, diferente da outra que é roxa. 

Ao se investigar, descobriu-se que as vacinas aplicadas nas crianças de 5 a 11 anos em Lucena eram de adultos e estavam com prazo de validade vencido. O caso continua tendo repercussão nacional e o Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento para investigar a situação. A técnica de enfermagem que aplicou a vacina e o prefeito de Lucena, Leo Bandeira, já foram ouvidos.

Representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PB), do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estão em Lucena para acompanhar o caso. No momento o processo de vacinação contra Covid-19 está suspenso temporariamentena cidade e ainda sem previsão de retorno. Os profissionais de saúde serão retreinados

CLICKPB



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