Filho de Ministro do TST, que deu medalha a Ricardo Coutinho, atuou como advogado de réus em processos da Calvário

 

O ex-governador Ricardo Coutinho recebeu nesta semana, das mãos do ministro Emmanoel Pereira, a Medalha Comemorativa dos 80 anos da Justiça do Trabalho. Apesar da homenagem, o que chama atenção é que o filho do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST), que entregou pessoalmente a medalha a Ricardo Coutinho, já atuou na defesa de réus da Operação Calvário. Ricardo é um dos principais alvos da Operação Calvário, que investiga um esquema de desvios de verba pública durante sua gestão frente ao Governo da Paraíba. Erick Wilson Pereira, filho do presidente do TST Emmanoel Pereira, já atuou em vários processos da operação Calvário. 

A entrega da medalha foi feita em Brasília juntamente com um Selo Postal e um Livro Comemorativo aos 80 anos do 'Tribunal da Justiça Social', como é conhecido o TST. Em suas redes sociais, Ricardo declarou que "nesses 30 anos de vida pública, sempre lutei para garantir mais empregos e dignidade para os paraibanos".


Erick Wilson Pereira já atuou na defesa de Raquel Vieira Coutinho, Breno Dornelles Pahim Filho, Breno Dornelles Pahim Neto e Denise Krummenauer Pahim. O advogado, que tem registro na OAB do Rio Grande do Norte, conseguiu que os processos contra eles fossem enviados ao juízo criminal de 1º grau beneficiando também todos os outros réus que não possuem foro privilegiado.

Em abril deste ano, Erick virou réu acusado de suposta compra de voto no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN). O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogério Schietti determinou a abertura da ação penal contra o advogado após seguidos arquivamentos.

Já no ano de 2020, o advogado Erick Wilson Pereira foi denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte acusado de esquema fraudulento de desvio de mais de R$ 1 milhão na Assembleia Legislativa do Estado. Na denúncia, o MPRN aponta que o advogado Erick Wilson Pereira, com a determinante concorrência dos ex-presidentes da Assembleia Robinson Mesquita de Faria e Ricardo José Meirelles Motta, de forma reiterada, desviou, o montante atualizado de R$ 1.144.529,45. O dinheiro desviado era usado em proveito próprio do advogado e também repassado a um tio dele, Wilson Antônio Pereira, que também é denunciado pelo MPRN.


"Escárnio": comenta Cabo Gilberto sobre homenagem

Nesta semana, o deputado estadual Cabo Gilberto, líder da bancada de oposição, criticou a concessão da medalha ao ex-governador Ricardo Coutinho. "Isso é um escárnio, um tapa na cara do povo paraibano", declarou o cabo Gilberto ao jornalista Marcelo José.

“Estou perplexo. Com todo respeito aos juízes, desembargadores e ministros que integram a Justiça Brasileira, mas a Justiça do Trabalho, através do Tribunal Superior do Trabalho, entregar uma medalha ao ex-governador que foi preso na Operação Calvário acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, é réu em diversos processos criminais, e é apontado pelo Gaeco, do Ministério Público da Paraíba, como chefe da organização criminosa responsável por desvios milionários na saúde do estado”, comentou o parlamentar ao tomar conhecimento da notícia.

“Estamos na era da informação rápida, não podemos acreditar que alguém no Tribunal Superior do Trabalho não tenha sabido do que aconteceu aqui pela Paraíba, com a Operação Calvário e o maior escândalo de corrupção já visto por essas bandas de cá. Acredito que a assessoria do TST não alertou ao presidente sobre a situação do ex-governador. Vamos , através da Assembleia Legislativa requerer ao TST a suspensão da medalha, devido o equívoco cometido”, concluiu o deputado Cabo Gilberto.


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