Os efeitos provocados pelo avanço do mar na orla paraibana já são
visíveis também no Litoral Sul do Estado. Na praia de Carapibus, no
Conde, Região Metropolitana de João Pessoa, a força das águas do oceano
está destruindo as barreiras que estão em avançado estado de erosão.
Alguns minutos de caminhada à beira-mar, é possível encontrar destroços
de construção civil decorrentes do processo natural, que em algumas
extremidades já derrubou muros de casas.
Morar em residências com vistas para o mar é a realização do sonho de
muitas pessoas, mas por conta do desgaste natural, que tem atingido a
costa, moradores de Carapibus estão apreensivos e temem perder seus
bens, a exemplo do bancário aposentado Fernando Souto, 51 anos.
Segundo Souto, há aproximadamente sete anos, quando fez a aquisição
de um imóvel de frente para o mar, a situação era amena e ele acreditava
que os prejuízos sofridos pelo meio ambiente fossem demorar mais tempo
até atingir a barreira, onde a casa que reside está localiza a cerca de
30 metros. “Nós já estamos preocupados, assim como moradores vizinhos.
Outro dia, informalmente, estávamos conversando sobre a possibilidade
de construirmos um muro de contenção com sacos de areia e concreto para
evitar que o mar avance mais e vá destruindo a barreira aos poucos até
alcançar nossas casas”, declarou.
A precaução prevista por esses moradores ainda não foi tomada pelo
poder público, o que resultou na erosão em diversos trechos da praia. Em
alguns casos, residências erguidas no topo das barreiras já tiveram
parte da estrutura desmoronada junto aos sedimentos da superfície,
deixando tijolos, restos de escadas e de outros materiais usados na
construção expostos na areia da praia.
De acordo com especialistas, é justamente o avanço imobiliário em
encostas que agravam a erosão por conta do declive do terreno, que
quando aliado ao longo processo de atrito das ondas e marés com as
falésias, acelera ainda mais o fenômeno. Com a degradação das barreiras,
além da perda para o meio ambiente e de bens materiais para os
moradores da região, outro problema surge: o risco aos banhistas.
Para a estudante Thaís Lucena, 21 anos, ao mesmo tempo em que o resto
da barreira e das construções se acumulam na areia e dificultam o
trajeto à beira-mar, gera temor em quem passa pelo local. “A paisagem é
linda e um convite a uma caminhada na faixa de areia. Mas no
subconsciente, desperta o medo de que mais uma parte da barreira possa
voltar a cair, mesmo que pequenos pedaços, no momento em que nós
banhistas fazemos a travessia. É preciso realizar ações que evitem
maiores danos”, sugeriu.
PREFEITURA NÃO TEM PROJETO
O secretário de Turismo e do Meio Ambiente do município do Conde,
Alexandre Cunha, informou que atualmente não há nenhum projeto previsto
para conter os danos na falésia de Carapibus, mas afirmou que existe a
possibilidade de um estudo de toda área afetada. “Isso precisa ser
feito juntamente aos demais órgãos ambientais competentes, como a
Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente), para que
haja a aprovação de possíveis obras de contenção da barreira, a exemplo
da construção de gabiões”, disse.
Alexandre Cunha, que também é presidente do comitê do Projeto Orla do
Conde, adiantou que esse grupo de estudos já fez um levantamento sobre
o local acerca das invasões de imóveis e da própria falésia e que a
partir de uma reunião do comitê, prevista para depois do Carnaval, será
avaliada a possibilidade de realizar algumas intervenções. “Obras de
contenção de barreira é algo que não tem um consenso entre os
ambientalistas. Enquanto uns enxergam a necessidade das ações, outros
acreditam que nada deve ser feito, pois a natureza deve seguir seu curso
normal. No entanto, como no comitê do Projeto Orla há membros de todos
os órgãos competentes, vamos nos reunir e ver a situação mais viável
para que a prefeitura possa aplicar ações efetivas no local, já que essa
possibilidade também precisa da aprovação do projeto”, observou.
Para o secretário, a erosão não é proveniente apenas das construções
dos imóveis no topo da barreira, “mas também por ela se tratar de uma
encosta viva, onde o solo é de argila e muito frágil”. “Devido à
proximidade com o mar, o avanço das marés vai fazendo a escavação na
parte de baixo da falésia, que com o passar do tempo a faz ir ao chão,
independentemente de ter, ou não, imóveis construídos”, pontuou.
Alan
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