Os Estados Unidos lançaram um ataque de “grande envergadura” contra o Irã neste sábado (28), depois da ordem do presidente americano, Donald Trump, anunciando como objetivos a devastação das Forças Armadas iranianas, do programa nuclear do país e a queda do regime teocrático.
Explosões atingiram Teerã e outras cidades da nação persa, lançados a partir de bombardeiros americanos e de Israel, que se somou à ofensiva, batizada por Washington como “Operação Fúria Épica”. As forças iranianas confirmaram uma primeira onda de retaliações por toda a região, com impactos confirmados em países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes e Kuwait.
“O Irã é o maior patrocinador do terror no mundo e recentemente matou dezenas de milhares de seus próprios cidadãos enquanto eles protestavam nas ruas. Sempre foi a política dos EUA, em particular na minha administração, que esse regime terrorista nunca possa ter uma arma nuclear” afirmou Trump, acrescentando que a operação também pretende “eliminar os mísseis” e “obliterar a Marinha” do Irã.
“Nós minimizamos os riscos para a equipe dos EUA na região. Ainda assim, e não falo isso de forma leviana, o regime iraniano busca matar. As vidas de heróis americanos podem ser perdidas e podemos ter baixas, que frequentemente acontecem em guerra, mas estamos fazendo isso pelo futuro”, complementou o presidente americano.
Há confirmação de bombardeios em várias cidades iranianas, incluindo Teerã, Tabriz, Kermanshah e Isfahã, esta última, que abriga uma das principais centrais nucleares do país. Na capital, um alvo atingido foi o Gabinete do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que segundo a agência de notícias Mehr não ficou ferido.
Testemunhas ouvidas pela agência francesa AFP afirmaram que ao menos três explosões foram ouvidas perto da residência oficial do aiatolá Ali Khamenei. Fontes iranianas ouvidas pela agência Reuters afirmam que altos comandantes militares e funcionários do governo foram mortos nos ataques, mas que Khamenei estaria em um local seguro.
Ainda no pronunciamento oficial sobre o ataque, Trump ofereceu “imunidade total” aos militares do Irã que decidirem se render e abaixar as armas, mas afirmou que aqueles que resistirem enfrentarão “a morte certa”. À população civil, o presidente americano instruiu procurar abrigo, prometendo uma transição de poder ao fim dos ataques.
Autoridades israelenses também se pronunciaram sobre a ofensiva, afirmando terem bombardeado alvos militares iranianos no oeste do país. O canal israelense Kan 11 afirmou que os ataques miraram locais estratégicos e militares incluindo do programa de mísseis balísticos.
Fontes israelenses ouvidas pela CNN afirmaram que figuras importantes do regime, incluindo Khamenei, Pezeshkian e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi estavam entre os alvos. Não está claro se alguma figura importante do governo iraniano foi atingida no ataque.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a operação, batizada no lado israelense de “Rugido do Leão”, tinha por objetivo eliminar a “ameaça existencial” do Irã.
O premier afirmou ter chegado a hora dos iranianos “terem o futuro em suas próprias mãos” e pediu que os israelenses “fiquem unidos” para garantir a “eternidade de Israel”. O presidente israelense, Isaac Herzog, elogiou o Netanyahu e Trump pelo lançamento da operação militar, classificando o momento como um “passo dramático e histórico” na História do Oriente Médio.
Condenação e contra-ataque
O Irã condenou os ataques americanos e israelenses como um ataque “à integridade territorial e à soberania nacional”, em violação à Carta das Nações Unidas. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), mobilizada a poucos dias em meio à escalada de tensões com os EUA, disparou uma primeira onda de mísseis e drones em retaliação, mirando posições em Israel e bases militares americanas em vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
“A renovada agressão militar dos EUA e do regime sionista contra o Irã constitui uma violação do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas. A República Islâmica do Irã considera essa agressão uma clara violação da paz e da segurança internacionais e enfatiza que se reserva o seu legítimo direito de responder de forma decisiva”, diz um comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã.
“A história mostra que os iranianos nunca se renderam à agressão. Desta vez também, a resposta do Irã será decisiva e os agressores se arrependerão de suas ações hostis”, acrescenta.
Em um dos principais ataques confirmados ainda na manhã de sábado, fontes iranianas e do Bahrein confirmaram que instalações da Quinta Frota dos EUA no país foram atingidas em um bombardeio de mísseis iraniano. A extensão dos danos não foi divulgada inicialmente, mas o país do Golfo condenou a violação de seu espaço aéreo e território, bem como vários outros países da região.
Em Israel, as Forças Armadas afirmaram estar levando a cabo uma missão de interceptação dos projéteis disparados pelo Irã, mas explosões foram ouvidas em cidades como Jerusalém e Tel Aviv.
Os militares israelenses alertaram a população civil a procurar abrigos, informando que o sistema de defesa do país — do qual faz parte o Domo de Ferro — não é hermético, podendo haver falhas. No norte do país, o que parece ter sido o estilhaço de um míssil abatido atingiu um prédio de nove andares. Os serviços de saúde israelenses afirmaram que uma pessoa ficou ferida.
MaisPB com O Globo
FALA PARAÍBA-BORGES NETO


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