Operação Argos já causou prejuízo de mais de R$ 100 milhões para organizações criminosas e apreende mais 1,5 tonelada de drogas


 Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram na manhã de hoje (26) a Operação Argos contra o narcotráfico interestadual. Até o momento, 26 pessoas foram presas, sendo 19 na Paraíba e 7 em outros estados.

A ação, que visa desarticular a liderança do maior fornecedor de entorpecentes da Paraíba, Pernambuco e Ceará, já causou prejuízo de mais de R$ 100 milhões para organizações criminosas e apreendeu mais 1,5 tonelada de drogas.

ofensiva contra a organização criminosa (Orcrim) mobilizou um efetivo histórico de mais de 400 policiais civis e contou com o apoio do Gaeco do Ministério Público, além de forças especializadas da própria instituição, como o Grupo de Operações Especiais (GOE), o Grupo de Operações com Cães (GOC), das Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE) de Campina Grande e João Pessoa, da Coordeam, da Unitepol; e das Polícias Civis de São Paulo, Bahia e Mato Grosso.

No total, foram cumpridos 44 mandados de prisão e mais de R$ 100 milhões foram bloqueados de contas bancárias.

Os mandados judiciais ligados a operação foram cumpridos em 13 municípios: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras, na Paraíba; em São Paulo, São Bernardo do Campo, Hortolândia, no Estado de São Paulo; em Cândido Sales, na Bahia; e em Nova Santa Helena, no Mato Grosso.

A operação teve como objetivo desarticular a organização criminosa liderada por Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, apontado como o maior fornecedor de entorpecentes para todo o estado da Paraíba e regiões estratégicas do Sertão pernambucano e cearense. As investigações tiveram início em 2023, após sucessivas apreensões históricas de drogas que, somadas, causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões ao grupo criminoso.

No âmbito financeiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias vinculadas a 199 alvos investigados, além do sequestro de 13 imóveis de luxo e 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas utilizadas na logística do tráfico, avaliados em mais de R$ 10 milhões.

De acordo com a investigação, a organização criminosa era estruturada em núcleos gerencial, operacional e financeiro, com atuação profissionalizada no transporte interestadual de drogas, distribuição no varejo e lavagem de capitais. O grupo utilizava empresas de fachada, holdings familiares e até contratos públicos para dissimular a origem ilícita dos recursos, movimentando cerca de meio bilhão de reais desde 2023.

Com a ação, a instituição afirma ter neutralizado o tripé que sustentava a organização criminosa, logística, varejo e capital, reafirmando o compromisso com o combate qualificado ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro em âmbito interestadual.

Investigação

A investigação que provocou a operação  foi iniciada em 2023 pela Draco, a partir de apreensões recordes de carregamentos de drogas em território paraibano, que somam prejuízos superiores a R$ 100 milhões para a Orcrim. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam a um único proprietário: Jamilton Alves Franco (conhecido como “Chocô”), apontado como líder da Orcrim.

Foi constatado pela operação  que Jamilton, nascido em Cajazeiras, na Paraíba, migrou para o estado de São Paulo ainda na juventude, tendo ascendido no crime dentro do sistema prisional paulista, ao estabelecer conexões diretas com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por ditar as diretrizes operacionais e disciplinares da facção.

Segundo a Draco, ao se integrar à essa engrenagem de poder, Jamilton obteve a logística necessária para se tornar o principal “hub” (ponto central estratégico) de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste, obtendo rápida ascensão financeira e exibindo um estilo de vida de ostentação, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo. Ele foi preso hoje, em Hortolândia-SP.

A Orcrim

A partir da análise dos aparelhos celulares apreendidos e da quebra de sigilos bancários, a Polícia Civil descortinou uma estrutura criminosa de grande poder financeiro, que operava como uma verdadeira “holding” do crime interestadual, com núcleos em São Paulo (que funcionava como “cérebro” da Orcrim, fazendo o controle estratégico, financeiro e logístico) e na Paraíba (o “corpo” da organização, responsável pela capilaridade territorial, varejo e arrecadação bruta). Quarenta integrantes foram identificados.

A investigação revelou ainda que a rede de distribuição de drogas na Paraíba estava estruturada em subnúcleos localizados em Cajazeiras (base), Patos (hub do Sertão), João Pessoa (de onde era feita a distribuição para o Litoral), Pombal e Sousa (onde ocorria lavagem automotiva e distribuição de drogas para o Alto Sertão) e Campina Grande (que operava no Agreste). Esses subnúcleos eram responsáveis por fazer a droga chegar ao consumidor final.

Foi constatado também que a organização criminosa alvo da operação usava transportadoras lícitas para camuflar as drogas e possuía um sofisticado esquema de lavagem de capitais. A investigação também revelou um braço perigoso da Orcrim: a tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos. Estima-se que o grupo criminoso tenha movimentado R$ 500 milhões, desde 2023.

Argos

O nome da operação faz referência ao gigante mitológico Argos Panoptes, o guardião de cem olhos que nunca dormia totalmente. O simbolismo do nome da operação reflete a atuação da Polícia Civil da Paraíba e da Draco contra o crime organizado no Estado, mesmo diante da complexidade de uma Orcrim com ramificações em vários estados do País.

Confira os detalhes da Operação

 

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BORGES NETO LUCENA INFORMA

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